A passarela mais próxima do Glaciar estava fechada, estão trocando tudo que é de madeira por modernas passarelas metálicas. Mesmo assim tivemos o privilegio de estar diante desta maravilha da natureza, a qual fomos ver mesmo com chuva e vento geladíssimo. Encontramos uma família de Joinville, pessoal muito legal e que ficamos felizes em encontrar pois não falávamos com brasileiros desde que saímos do RS. Encontramos também 2 famílias de Curitiba com seus motor homes, isso sim é que é viajar.
Chegamos cedo e apreciamos toda a extensão das passarelas tranquilamente, mais tarde ficou cheio de turistas e já não tinhamos a mesma liberdade. Pensei no pessoal acampado no parque, a liberdade de estar tão próximo e ainda com conforto de casa.
Vimos o desprender de algumas partes do gelo e o som emitido pela queda é marcante, mas o som chega sempre alguns segundos depois da queda, por isso é preciso atenção para ver a queda. A cor do gelo é azul, mas somente vendo para sentir a tonalidade. Este é um local para apreciar por horas e horas e mesmo assim deixar o parque é difícil.
Nos despedimos de nossos amigos de Joinville e seguimos viagem, agora iriamos trafegar pela lendária Ruta 40, que corta a Argentina passando pela maioria dos locais mais belos do país. Essa rodovia ainda tem vários km de rípio, porem a maior parte dela está pavimentada. Onde ainda está no rípio a melhor maneira de andar é pela canaleta formada pelo trafego, fora disso as pedras soltas fazem o veículo derrapar as rodas e é dificil manter o controle.
A primeira parte de rípio foi interessante, a medida que peguei confiança aumentei mais e mais a velocidade até que um pequeno solavanco me tirou da trilha a mais de 100 km/h. O carro saiu de traseira derrapando, mas como o piloto aqui é bom de braço, conseguiu recolocar o carro nos trilhos novamente, claro que fui repreendido. No rípio até é possível manter uma boa velocidade, porém a atenção deve ser total e qualquer descuido pode virar um problema. Andamos cerca de 600 km nesse tipo de estrada.
Antes de entrar na Ruta 40 abasteci o carro e um galão de 20l que tinha trazido de Curitiba, cortesia do amigo Josué. Ainda não usei mas foi por pouco. Ao chegar à bucólica Bajo Caracolles, fomos direto ao único posto, que também é hotel (bem simples) e bar, onde uns mochileiros estrangeiros já estavam de saída. Passei pelo proprietário, sem saber, que me ignorou. Aguardei ele passar para trás do balcão e perguntei o valor para um quarto, $270,00, caríssimo. Perguntei sobre a gasolina, ele avisou que logo sairia para me atender, aguardei mais de 20 min e nada, desisti e segui viagem.
A partir desse ponto a estrada está em péssimas condições, isso se deve a fato da reconstrução da Ruta 40 que, como observamos, terá muito menos curvas e os declives serão menos acentuados, uma grande melhoria. Porém o grande fluxo de caminhões danificou consideravelmente o velho trajeto, o que nos atrasou muito.
Com a baixa velocidade não chegávamos a lugar algum, e os campings e hotéis do caminho, pelo menos o que encontramos, estavam fechados. Já estava extremamente cansado quando encontramos um refugio protegido do vento, estacionei o carro e resolvemos armar a barraca. Infelizmente não conseguimos encher o colchão de ar e forramos a barraca com cobertores, nos instalamos o melhor que deu e, como não estava frio na hora, conseguimos dormir umas 2 horas. Acordamos com frio intenso, principalmente por estarmos com o colchão vazio, abandonamos a moradia temporária e nos refugiamos no carro até o amanhecer.
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