quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Dia 11

Na manhã seguinte seguimos em direção ao Glaciar Perito Moreno, cerca de 80 km de El Calafate, na estrada encontrei três Toyota Bandeirante, uma delas eu e o Danielson vimos em Castro - PR com o adesivo Expedição Patagônica. Pagamos $40,00 por adulto para entrar no parque (Argentinos pagam $12,00 e nativos $6,00), percorremos mais 30 km para chegar ao mirante.
A passarela mais próxima do Glaciar estava fechada, estão trocando tudo que é de madeira por modernas passarelas metálicas. Mesmo assim tivemos o privilegio de estar diante desta maravilha da natureza, a qual fomos ver mesmo com chuva e vento geladíssimo. Encontramos uma família de Joinville, pessoal muito legal e que ficamos felizes em encontrar pois não falávamos com brasileiros desde que saímos do RS. Encontramos também 2 famílias de Curitiba com seus motor homes, isso sim é que é viajar.

Chegamos cedo e apreciamos toda a extensão das passarelas tranquilamente, mais tarde ficou cheio de turistas e já não tinhamos a mesma liberdade. Pensei no pessoal acampado no parque, a liberdade de estar tão próximo e ainda com conforto de casa.

Vimos o desprender de algumas partes do gelo e o som emitido pela queda é marcante, mas o som chega sempre alguns segundos depois da queda, por isso é preciso atenção para ver a queda. A cor do gelo é azul, mas somente vendo para sentir a tonalidade. Este é um local para apreciar por horas e horas e mesmo assim deixar o parque é difícil.

Nos despedimos de nossos amigos de Joinville e seguimos viagem, agora iriamos trafegar pela lendária Ruta 40, que corta a Argentina passando pela maioria dos locais mais belos do país. Essa rodovia ainda tem vários km de rípio, porem a maior parte dela está pavimentada. Onde ainda está no rípio a melhor maneira de andar é pela canaleta formada pelo trafego, fora disso as pedras soltas fazem o veículo derrapar as rodas e é dificil manter o controle.

A primeira parte de rípio foi interessante, a medida que peguei confiança aumentei mais e mais a velocidade até que um pequeno solavanco me tirou da trilha a mais de 100 km/h. O carro saiu de traseira derrapando, mas como o piloto aqui é bom de braço, conseguiu recolocar o carro nos trilhos novamente, claro que fui repreendido. No rípio até é possível manter uma boa velocidade, porém a atenção deve ser total e qualquer descuido pode virar um problema. Andamos cerca de 600 km nesse tipo de estrada.

Antes de entrar na Ruta 40 abasteci o carro e um galão de 20l que tinha trazido de Curitiba, cortesia do amigo Josué. Ainda não usei mas foi por pouco. Ao chegar à bucólica Bajo Caracolles, fomos direto ao único posto, que também é hotel (bem simples) e bar, onde uns mochileiros estrangeiros já estavam de saída. Passei pelo proprietário, sem saber, que me ignorou. Aguardei ele passar para trás do balcão e perguntei o valor para um quarto, $270,00, caríssimo. Perguntei sobre a gasolina, ele avisou que logo sairia para me atender, aguardei mais de 20 min e nada, desisti e segui viagem.

A partir desse ponto a estrada está em péssimas condições, isso se deve a fato da reconstrução da Ruta 40 que, como observamos, terá muito menos curvas e os declives serão menos acentuados, uma grande melhoria. Porém o grande fluxo de caminhões danificou consideravelmente o velho trajeto, o que nos atrasou muito.

Com a baixa velocidade não chegávamos a lugar algum, e os campings e hotéis do caminho, pelo menos o que encontramos, estavam fechados. Já estava extremamente cansado quando encontramos um refugio protegido do vento, estacionei o carro e resolvemos armar a barraca. Infelizmente não conseguimos encher o colchão de ar e forramos a barraca com cobertores, nos instalamos o melhor que deu e, como não estava frio na hora, conseguimos dormir umas 2 horas. Acordamos com frio intenso, principalmente por estarmos com o colchão vazio, abandonamos a moradia temporária e nos refugiamos no carro até o amanhecer.

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